
handle: 10348/7842
Com a proibição da utilização de antibióticos como promotores de crescimento na União Europeia, a procura de alternativas a aditivos na alimentação animal tem vindo a aumentar, com o objetivo de melhorar a eficiência alimentar e o desempenho dos animais. Devido às suas reconhecidas propriedades antimicrobianas, os polifenóis representam uma alternativa viável a aplicar na alimentação para ruminantes. Neste sentido, o presente estudo teve como objetivo avaliar o efeito de polifenóis com elevado nível de pureza na fermentação ruminal in vitro. Os polifenóis, hesperetina, morina, naringenina, quercetina, ácido carnósico, miricetina, pinoresinol e ácido rosmarínico, foram adicionados a um substrato, constituído por forragem (85%) e alimento composto (15%), na concentração de 350 μg/g MS. A mesma concentração do ionóforo monensina foi aplicada como controlo positivo. A produção de gás foi monitorizada durante 48 horas de incubação e foram recolhidas amostras para análise de ácidos gordos voláteis (AGV) e ácido lático. Amostras para análise de azoto amoniacal (NH3-N) e proteína microbiana (PM) foram obtidas a partir de diferentes garrafas contendo caseína hidrolisada como substrato. A atividade específica de produção de amoníaco (AEPA) foi determinada através das concentrações de NH3-N e PM. Os resultados indicaram que a produção de gás foi influenciada pela suplementação de naringenina, aumentando (P0,05) as concentrações de NH3-N. No entanto, a naringenina (P<0,05) apresentou um elevado valor de AEPA relativamente ao controlo (39,49 vs. 30,41 nmol (mg de proteína)-1 min-1, respetivamente). A monensina apresentou menor (P<0,05) concentração de NH3-N e inibiu (P<0,05) AEPA em 37% em comparação com o controlo. Em termos gerais, o perfil de AGV não foi alterado pela suplementação de polifenóis. A monensina diminuiu a concentração total de AGV (P<0,05) e proporção ácido acético (P<0,05) aumentando a proporção de ácido propiónico (P<0,05). Contrariamente ao expectável, a concentração de ácido lático foi significativamente superior (P<0,05) na suplementação com monensina, comparativamente com o controlo, enquanto que os flavonoides hesperetina, morina e naringenina apresentaram menor (P<0,05) concentração de ácido lático após 6 horas de incubação. Os resultados obtidos indicam que a naringenina poderá ter aumentado a atividade microbiana no rúmen e reduzido a concentração de ácido lático. Este último efeito foi também observado com a suplementação de hesperetina e morina, sugerindo que estes compostos flavonoides poderão ter potencial para diminuir a incidência de acidose ruminal, através da redução da concentração de ácido lático, sem apresentar efeitos negativos na fermentação ruminal.
Since the banning of antibiotics as animal growth promoter in the European Union, the demand for alternative feed additives has been increasing in order to improve feed efficiency and animal performance. Polyphenols, due to their antimicrobial properties, are promising candidates that could be used as alternative feed additives for ruminants. Based on that, this study aimed to evaluate the effect of eight different polyphenols with high level of purity on in vitro rumen fermentation. The polyphenols hesperetin, morin, naringenin, quercetin, carnosic acid, myricetin, pinoresinol and rosmarinic acid, were added to the substrate, composed by a forage mixture (85%) and compound feed (15%), at the concentration of 350 μg/g DM. The effect of the ionophore monensin was also evaluated, at the same concentration, as comparative positive control. Gas production was monitored during 48 hours of incubation and samples were collected for volatile fatty acids (VFA) and lactic acid analysis. Samples for ammonia nitrogen (NH3-N) and microbial protein (MP) analysis were collected from different bottles containing casein hydrolysate as substrate. Specific activity of ammonia (SAAP) was calculated with the concentrations of NH3-N and MP. The results showed that gas production was influenced by the addition of naringenin, increasing (P0.05) of polyphenols was observed in NH3-N concentration. However, naringenin significantly increased (P<0.05) SAAP in comparison to the control (39.49 vs 30.41 nmol (mg of protein)-1 min-1, respectively). Monensin presented lower (P<0.05) NH3-N concentration and inhibited (P<0.05) SAAP by 37% when compared to control. In general, VFA profile was not influenced by polyphenols supplementation. Monensin decreased total VFA concentration (P<0.05) and acetic acid proportion (P<0.05) and increased propionic acid proportion (P<0.05). Contrary to expectations, with monensin supplementation, lactic acid concentration was significantly (P<0.05) superior to the control, whereas the flavonoids hesperetin, morin and naringenin presented lower (P<0.05) lactic acid concentration after 6 hours of incubation. These results indicated that naringenin increased rumen microbial activity and decreased lactic acid concentration in the rumen. This last effect was also observed with hesperetin and morin suggesting that these flavonoid compounds may have potential to prevent rumen acidosis, through the mitigation of lactic acid, without negative effects on rumen microbial fermentation.
Dissertação de Mestrado em Engenharia Zootécnica
Experimentação in vitro, Monensina, 636.08(043), Atividade antimicrobiana, Ácido lático, Composto fenólico, Digestão no rúmen, 579.67(043)
Experimentação in vitro, Monensina, 636.08(043), Atividade antimicrobiana, Ácido lático, Composto fenólico, Digestão no rúmen, 579.67(043)
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