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Numa época de viragem para o ensino da língua materna, com a implementação concomitante, no ano lectivo de 2011/2012, do novo Programa de Português do Ensino Básico, aliado ao Dicionário Terminológico, do Acordo Ortográfico, das Metas de Aprendizagem, urge fazer um balanço da situação actual do ensino–aprendizagem do conhecimento explícito da língua, que é o objectivo do presente trabalho. Assim sendo, compilou-se a legislação e textos de referência relativos à reorganização curricular, ao ensino da Língua Portuguesa, aos manuais escolares, aos textos programáticos da década de 1990 até à actualidade, interpretando-os. De seguida, compreendeu-se, pelos testemunhos dos linguistas e estudiosos da língua, que importa alterar profundamente as práticas e as metodologias de trabalho nas aulas de Língua Portuguesa, no que toca à transmissão gramatical e à constituição dos manuais gramaticais. O quadro teórico está no terreno, já publicado, pelo que é urgente que haja uma revolução nas mentes e que sejam criadas condições, pelos organismos responsáveis, para o surgimento dessa profunda alteração. Por outro lado, averiguou-se o modo como as gramáticas escolares transmitem o conhecimento explícito da língua, pelo que se constituiu um corpus de seis compêndios usados nas escolas durante a presente pesquisa, analisando-os. Verificaram-se incongruências entre os preceitos teóricos e a prática: privilegia-se a vertente normativa, havendo mudanças sentidas no final da primeira década deste século. Não obstante, o formato, o peso, o tamanho e o preço mantêm-se inadequados; a linguagem ainda peca por ser abstracta e complexa; a estrutura e o conteúdo dos capítulos revelam a subjectividade dos autores e a nomenclatura assume designações divergentes, o que se torna problemático pois todos os manuais gramaticais se encontravam à venda durante a primeira década do século XXI. Seguidamente, efectuou-se uma análise no terreno, através da aplicação de inquéritos nas escolas do distrito de Vila Real: aos alunos do 9º Ano, dos Cursos de Educação e Formação (CEF) e aos professores. Os resultados apurados comprovam os testemunhos dos estudiosos inclusos nesta pesquisa. Os alunos possuem, em grande parte, uma gramática pedagógica, mas não a rentabilizam, devido à linguagem complexa, à rejeição sentida pelo excessivo número de páginas e a ausência de exercícios. Optam por estudar maioritariamente pelos apontamentos e pelos manuais escolares. Percebe-se que os alunos precisam de aprender a estudar as estruturas da língua, pois seguem metodologias divergentes de trabalho, num recurso ainda incipiente ao mundo das novas tecnologias aplicadas ao conhecimento explícito da língua. Os professores não usam regularmente a gramática escolar nas aulas, ainda que haja uma visão satisfatória sobre a sua qualidade, reservando-lhe um papel secundário na transmissão gramatical. A grande maioria privilegia o uso do manual escolar, a elaboração de fichas, com algum recurso, ainda incipiente, às TIC. Finalmente, tentou-se encontrar possíveis propostas de trabalho para o ensino – aprendizagem da Língua Portuguesa, baseadas nas TIC, de modo a acompanhar a evolução da era tecnológica da sociedade, através do uso da internet, do blogue, das WebQuests, da plataforma moodle, da construção de um e-portfolio, da oficina de língua / gramatical, entre outras possíveis pistas. Conclui-se que é importante mudar atitudes, hábitos e métodos de trabalho menos eficazes. Urge alterar procedimentos, privilegiando a apreensão e consolidação de construções gramaticais a partir do conhecimento linguístico dos alunos, levando-os a reflectir sobre as estruturas da língua, à descoberta de regularidades, para, de seguida, testar as generalizações apreendidas em exercícios de treino e de consolidação. Por seu lado, as gramáticas escolares devem ser repensadas, na sua estrutura, formato, conteúdo, público-alvo, suporte, para acabar com a visão pessimista que os alunos têm do conhecimento explícito da língua, arcabouço para o seu sucesso enquanto alunos e enquanto indivíduos inseridos numa sociedade. Os tempos são de mudança, pelo que é imperioso que todos os responsáveis pela transmissão gramatical da Língua Portuguesa se unam no sentido de promover o aperfeiçoamento progressivo desta competência nos alunos do 3º Ciclo do ensino básico.
Língua portuguesa, 37.02(043), 371.3(043), 371.67(043), 811.134.3'36(043), Gramática, Ensino/aprendizagem
Língua portuguesa, 37.02(043), 371.3(043), 371.67(043), 811.134.3'36(043), Gramática, Ensino/aprendizagem
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