
handle: 10348/4285
Nas últimas décadas os incêndios florestais foram tomando conta da realidade florestal do distrito de Viana do Castelo. As consequências para o território são notórias, sendo evidente o aumento de cobertura das comunidades arbustivas em detrimento de áreas de pinhal bravo. Condições climáticas atlânticas, caraterizadas por elevados teores de humidade relativa do ar e níveis de pluviosidade, potenciam de forma significativa o desenvolvimento vegetativo. O tojo arnal (Ulex europaeus) possui uma elevada capacidade de disseminação que se vê favorecida pelo clima de influência oceânica. Apesar da elevada representatividade territorial do tojo arnal, escassos são os estudos que caracterizam a espécie no território nacional do ponto de vista do comportamento do fogo. Tal conhecimento é importante no contexto da prevenção estrutural e na supressão dos incêndios florestais. O presente estudo baseou-se na recolha de informação que caracteriza a espécie e a sua relação com o fogo. Através de queimas controladas efetuadas no distrito de Viana do Castelo, ensaios de campo e análise de áreas afetadas por incêndios florestais, foi possível descrever a estrutura do tojo, assim como caraterizar a variação do comportamento do fogo em condições meteorológicas de risco reduzido a moderado. Os tojais no NW português caraterizam-se por cargas relativamente elevadas de combustível total e fino, conferindo elevada perigosidade ao espaço. Esta estrutura complexa, mesmo quando conjugada com indicadores meteorológicos moderados, potencia fogos de elevada intensidade. Conjugações adversas das variáveis do ambiente do fogo propiciam então fogos intensos e rápidos, sendo por isso relevante a escolha de uma padrão de ignição ajustado, para dessa forma minimizar os impactes sobre o solo e a possibilidade de perda de controlo sobre o fogo. Face às elevadas cargas de combustível atingidas ainda em idades jovens são convenientes intervenções em tojais com menos de 6 anos. Considerando o potencial de intensidade e de velocidade de propagação do fogo que os tojais no NW português demonstraram potenciar, foi possível no presente estudo estabelecer uma prescrição para o uso do fogo controlado que garante, por um lado a segurança da queima, e por outro a integridade do solo. Uma vez que os tojais produzem e acumulam elevadas cargas de combustível morto fino, os teores de humidade relativa do ar e aqueles contidos na vegetação detêm um importante papel na regulação da intensidade do fogo. Fogos em tojais, mesmo em condições moderadas, podem tornar-se intensos, pelo que um número de dias sem chuva superiores a 3, humidades relativas entre 55 e 75% e índices de DMC inferiores a 30 são valores que deverão garantir segurança e controle da queima. Ao nível dos padrões de comportamento do fogo, são desejáveis velocidades de propagação (0,5-1 m/min) e intensidades do fogo (400-1000 kW/m) baixas. Os comprimentos de chama não deverão ultrapassar os 3 m, diminuindo assim a possibilidade de projeções de materiais em combustão ou projeção da própria chama para combustíveis próximos não incluídos no objetivo da gestão. Quando adequadamente planeado, o fogo controlado possui um impacte ambiental reduzido constituindo uma ferramenta eficaz e economicamente atraente para a gestão do combustível nos espaços florestais.
Tojo, Carga de combustível, Fogo controlado, Ulex, Comportamento do fogo, 630*432(043)
Tojo, Carga de combustível, Fogo controlado, Ulex, Comportamento do fogo, 630*432(043)
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