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Desde os primórdios do estudo da língua portuguesa, regista a bibliografia linguística alusões a variedades e usos que remontam já à Gramática da Lingoagem Portuguesa de Fernão de Oliveira (1536), bem como aos séculos XVII e XVIII, estudos linguísticos apelidados de “pré-científicos”. É com Aniceto dos Reis Gonçalves Viana e sobretudo José Leite de Vasconcelos, já no séc. XIX, que os estudos dialetológicos alcançam a fase designada como científica. É a partir da retoma de alguns indícios da descrição linguística dialetal legada por José Leite de Vasconcelos, alusivos a Barroso, com a inclusão de outros autores a nível nacional como Manuel de Paiva Boléo e Luís Filipe Lindley Cintra, e local, Fernando Braga Barreiros (lexicógrafo e etnógrafo) e António Lourenço Fontes (etnógrafo) e Bento da Cruz (escritor), entre outros, que recolhemos dados linguísticos. A inovação consistiu nos procedimentos do tratamento de dados, sobretudo nos níveis fonético, fonológico e lexical. Aplicámos as regras fonológicas da linguística funcional para isolar fonemas dialetais e detetar sistemas, considerando a coexistência com o português padrão. Para estudar a variação interna, construímos uma amostra estratificada de falantes, proporcional aos dados demográficos e sociais com o respetivo estatuto sociocultural dos sujeitos da amostra, submetidos a tratamento estatístico descritivo e inferencial. Obteve-se o estatuto sociocultural dos falantes com caraterísticas dialetais barrosãs. Para o léxico, procedeu-se ao estudo lexicográfico e lexicológico com indicadores de datação e partilha de uso no espaço geolinguístico. Apresentámos os resultados a níveis fonético e fonológico com os fonemas mais caraterísticos e a constituição de sistemas fonológicos. A nível lexical, elaborámos um glossário com 2.600 entradas, com estudo lexicográfico, das quais 600 eram “barrosismos”. Definiram-se os contornos de uma personalidade linguística própria A pertinência do estudo representa um contributo para recuperar a clássica dialetologia, com a retoma da tradição de estudos linguísticos transmontanos e nacionais, iniciada por autores consagrados como Gonçalves Viana e José Leite de Vasconcelos. A sua importância consiste em isolar um dialeto, perdido na fala rude dos pastores analfabetos e guardada ciosamente na oralidade, de geração em geração, dialeto da “área dos dialetos transmontanos e alto-minhotos”.
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - UTAD; Centro de Estudos em Letras - CEL; Fundação para a Ciência e Tecnologia - FCT
dialetologia, fonética, lexicografia, léxico, fonologia, lexicologia
dialetologia, fonética, lexicografia, léxico, fonologia, lexicologia
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