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Esta publicação é um guia de docência ou manual universitário de antropologia urbana. Ele nasce nos finais dos anos 1990, mais em concreto na Universidade Fernando Pessoa (Porto) e durante o ano académico 1997-1998, no qual tive a honra de substituir o Prof. Dr. Paulo Castro Seixas (hoje na Universidade de Lisboa) na unidade curricular de “Antropologia Urbana I” e “Antropologia Urbana II” da licenciatura em antropologia, hoje inexistente naquela universidade. Eu acabava de concluir, em setembro de 1997, a minha tese de doutoramento em Antropologia na Universidade de Santiago de Compostela (Galiza), baixo a supervisão do Prof.Dr. José Antonio Fernández de Rota (Universidade da Corunha) e o Prof. Dr. Xosé Ramón Mariño Ferro (Universidade de Santiago de Compostela), sob a temática das relações rural-urbanas e os processos de urbanização sociocultural das pequenas cidades (vilas) da Galiza interior.A realização da minha tese doutoral em antropologia, a docência na Universidade Fernando Pessoa e posteriormente, desde outubro de 1998, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), a universidade pública do interior norte de Portugal, levou-me a coletar e reunir um conjunto muito rico de materiais teóricos e metodológicos, e também materiais pedagógicos e estudos de caso que serviam como elementos de discussão e pensamento crítico sobre a construção sociocultral e a produção social dos espaços urbanos. Junto com a docência nestes 26 anos em Portugal, e noutros países, foi também importante a publicação da minha tese doutoral em antropologia, intitulada “Galegos de Vila: Antropoloxía dun espazo rurbano” (2005, editora Sotelo Blanco). Esta publicação permitiu-me voltar a revisitar velhas e novas problemáticas antropológicas dos processos de urbanização, da antropologia do território e a antropologia do espaço sociocultural. E como resultado de tudo isso foi a elaboração de uma série de apontamentos e reflexões (sebenta) sobre os principais temas e problemáticas da antropologia urbana, um subcampo da antropologia sempre em construção. Esa sebenta converteu-se logo num guia docente que foi utilizado na docência universitária com estudantes de antropologia, animação sociocultural, turismo, literatura, comunicação, educação e ciências sociais. Este guia deve muito a outros manuais universitários em língua inglesa, española, portuguesa e italiana, que são referenciados na bibliografia final de cada tema, mas também aos diálogos com professores e colegas especialistas neste campo como Graça Índias Cordeiro (ISCTE- IUL), que teve a gentileza de me deixar assistir a várias das suas aulas de antropologia urbana no ISCTE, o citado Paulo Castro Seixas (hoje no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa), Francisco Cruces Villalobos (catedrático de antropologia da UNED, Espanha), com quem fiz um curso doutoral de antropologia urbana na Univerisdade de Salamanca, Guido Martinotti (catedrático de sociologia na Universidade de Milão, Itália, DEP), com quem fiz uma estadia de investigação em 1994, a Rubén Lois González (catedrático de geografia da Universidade de Santiago de Compostela e vicepresidente da asociación internacional de geógrafos), que orientou a minha tese de licenciatura em Geografia e História e com quem tenho aprendido tanto da Geografia e da vida. Em 2022, uma estadia de investigação na UTAD da Prof.a Lucybeth Arruda, permitiu-me lançar-lhe o desafio de editar juntos este manual e guia docente, algo que ela assumiu com muito entusiasmo e que nos permitiu por via do diálogo trasaltántico abordar a diversidade de urbanismos desde as principais correntes teóricas da antropologia urbana. A proposta foi pensada desde uma perspectiva cronológica, na tentativa de organizar e oferecer caminhos possíveis de leituras na área da Antropologia Urbana pensando o processo de construção de questões, métodos, escolas e temas. Para além disso, é importante fazer esse movimento de leituras a partir do lugar de onde estamos falando, isto é, Portugal, a Península Ibérica e Brasil, pincipalmente. Por isso, reservamos uma parte deste guia para trazer contextos de cidades portuguesas (Porto e Lisboa) e brasileiras (Rio de Janeiro e São Paulo) que foram e são lugares, espaços, territórios e fronteiras de questões e reflexões na antropologia urbana, atuando assim como uma espécie de laboratórios de antropologia urbana. Sublinhar aqui a quase inexistência de textos de síntese da antropologia urbana em língua portuguesa, como assim existem em inglês, espanhol, francês e italiana. Por isso este manual tenta colmatar essa lacuna. A publicação deste manual representa uma espécie de história das ideias da antropologia urbana e dos seus conhecimentos, alguns construídos em diálogo ou importados da história, a sociologia, a geografia, a arquitetura etc. E se bem que hoje em dia a Antropologia Urbana é um campo antropológico difuso, parece-nos importante repensar uma das tradições académicas que refletindo sobre a vida nas cidades revolucionaram a própria antropologia e a sua forma de entender e estudar a diversidade. O manual agora apresentado é uma genealogia de autores, obras, perspetivas teóricas e alguns exemplos metodológicos e técnicos dos principais aportes da antropologia urbana. Ele inclui uma crítica da cegueira da antropologia ao estudo do urbano e do urbanismo, e também uma agenda de temas, problemas de investigação, análises antropológicas que hoje já foram desenvolvidos e aprofundados noutros campos e subcampos da antropologia, mas que nos parece de realce mostrar as suas raízes disciplinares. E para além da sua importância reflexiva, académica e inteletual, consideramos que a Antropologia Urbana tem um grande potencial na planificação social urbana a diferentes escalas. A obra está estruturada em 10 temas. O primeiro apresenta a mudança de objetos de estudo da antropologia e como esta chegou ao estudo da cidade. O segundo tema frisa a construção inteletual e institucional da antropologia urbana como campo subdisciplinar da antropologia, e nele realizamos uma revisão das formas de pensar a relação entre o urbano e o rural. O terceiro tema discute o pensamo social “clássico” sobre a vida urbana, através de um diálogo com autores incontornáveis como Max Weber, George Simmel, Karl Marx, Friedrich Engels, Henri Pirenne, Lewis Munford ou Michael Foucault. O quarto capítulo apresenta a Escola de Chicago e as suas etnografias urbanas. O quinto faz uma análise da Escola do Rhodes-Livingstone Institute. O sexto foca a análise antropológica de redes sociais em contextos urbanos. O sétimo centra-se na obra de Ervin Goffman e o seu contributo para o estudo do urbanismo desde o interaccionismo simbólico. O oitavo tema intitulamos “A antropologia urbana hoje ou a dissolução do urbano” e nele apresentamos os principais desenvolvimentos epistemológicos e teóricos da antropologia urbana nas últimas décadas. O tema nove aborda a antropologia urbana em Portugal enquanto tradição académica e institucional particular. E o dícimo faz o mesmo movimento, mas tendo como foco o Brasil, onde a antropologia urbana teve um papel relevante. Cada um dos temas é acompanhado de sugestões de leituras, visionamento de filmes e outros suportes pedagógicos para trabalho em contexto docente.
Antropologia Urbana, Portugal, Brasil, Antropologia Sociocultural, Urbanismo, Relações rural-urbanas
Antropologia Urbana, Portugal, Brasil, Antropologia Sociocultural, Urbanismo, Relações rural-urbanas
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