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O elevado consumo de frutas gera anualmente um grande volume de subprodutos, que são constituídos por cascas, sementes e polpas, assim como por frutas sem calibre que não podem ser comercializadas. O aproveitamento destas matrizes visa a sua valorização como promotores de saúde, ao mesmo tempo que diminuem danos ambientais gerados por descartes incorretos e promovem a sustentabilidade do setor agroalimentar. Nesse sentido, o presente trabalho visou a caracterização nutricional, química e bioativa de farinhas obtidas a partir de cascas de 4 variedades de citrinos: laranja (FL), tangerina (FT), lima (FLA) e limao (FLO), com o propósito de avaliar o seu potencial como ingrediente funcional. Após a aquisição e secagem de cada uma das frutas in natura, elas foram lavadas, descascadas manualmente, e as cascas foram secas. As cascas secas foram trituradas e obtidas as farinhas. Em seguida foi realizada uma extração hidroelétrica em uma parte das amostras, para fins de analises das bioatividades. O teor em humidade, cinzas, proteínas, gorduras, hidratos de carbono, fibras, e energia foram determinados seguindo as metodologias oficiais de analise (AOAC). Em todas as farinhas produzidas a agua destacou-se como o principal componente, tendo percentagens superiores a 70%, com destaque para a farinha de limao com 82,32%. Com isso, a farinha de limão foi também a que apresentou maiores diferenças relativamente as restantes, demonstrando os menores teores de gordura, proteína, hidrato de carbono, fibras, e consequentemente, menor valor energético. Por sua vez, a farinha de lima foi a que apresentou o maior valor de cinzas, proteínas e fibras. A nível químico, a quantificação dos ácidos orgânicos foi realizada por cromatografia liquida ultra-rápida acoplada a um detetor de fotodiodos (UFLC-DAD). Entre os ácidos orgânicos identificados, o acido quinico foi o maioritário nas amostras FLA e FLO, numa quantidade de 3,7 } 0,2 g/100g e 3,5 } 0,1 g/100g, respetivamente, e nao foram detetados nas amostras FL e FT. Por sua vez, o acido cítrico apresentou maior quantidade na FL (5,8 } 0,2 g/100g) e FT (16,39 } 0,04 g/100g) e nao foi detetado na FLA e FLO. Os compostos fenolicos foram determinados por cromatografia liquida de alta eficiência acoplada a um detetor de arranjo de diodos e a um espectrómetro de massa com ionização por eletrospray (HPLC-DAD-ESI/MS), tendo sido identificados quarenta e seis compostos nao-antocianicos, dos quais vinte e nove sao flavonoides e dezassete ácidos fenolicos e derivados. Dentre as farinhas estudadas, a FLA foi a que apresentou maior quantidade de compostos fenolicos, com predominância dos flavonoides hesperidina (23.48 }0.19 mg/g) seguido pelo limocitrol-O-hexosideo-O-deoxihexosideo (13.24 }0.16 mg/g) e limocitrin-glucosil-3-hidroxi-3-metil-glutaril-glucosideo (6.42 }0.23 mg/g). Os acidos gordos foram quantificados por cromatografia gasosa com deteção de ionização de chama (GC-FID), tendo-se identificado 19 ácidos gordos individuais no total, dos quais o acido linoleico (C18:2n6c), seguido pelo acido ƒ¿-linolenico (C18:3n3), acido oleico (C18:1n9c) e acido palmitico (C16:0) se destacaram como maioritários em todas as amostras. A quantificação de açúcares livres foi realizada através de um sistema de cromatografia liquida de alta eficiência acoplada a um detetor de índice de refração (HPLC-RI), onde foi possível identificar a presença de frutose, glucose, sacarose e trealose, em todas as variedades. A atividade antioxidante dos extratos foi avaliada por meio de tres ensaios: o ensaio da inibição da peroxidacao lipidica (TBARS), o ensaio de atividade captadora de radicais de DPPH e ensaio do poder redutor. A atividade antimicrobiana foi avaliada testando o potencial dos extratos contra um painel de seis bactérias (Gram-positivas: Staphylococcus aureus, Bacillus cereus, Listeria monicytogenes, e Gram-negativas: Escherichia coli, Salmonella Typhimurium, Enterobacter cloacae) e seis fungos (Aspergillus fumigatus, Aspergillus niger, Aspergillus versicolor, Penicillium funiculosum, Trichoderma viride e Penicillium verrucosum var. cyclopium). E a atividade antiproliferativa dos extratos foi avaliada em 4 linhas de celulas tumorais: AGS (adenocarcinoma gastrico) e CaCo-2 (adenocarcinoma de colon), MCF-7 (carcinoma de mama), NCI-H460 (carcinoma de pulmão), e uma linha de células nao tumorais (PLP2), utilizando o método sulforhodamina B. Os resultados demonstraram que as farinhas apresentaram um potencial antioxidante, antimicrobiano, antiproliferativo e anti-inflamatorio, com destaque para a FLA nas atividades antioxidante e antimicrobiana. Sendo essas caracteristicas importantes, que fazem com que esse subproduto seja de interesse para a industria alimentar e farmacêutica. Tendo em vista a possível aplicação como ingrediente conservante natural, a farinha de lima foi selecionada para incorporação uma vez que foi a farinha com maior potencial bioativo. Neste sentido, procedeu-se a comparação de madalenas produzidas com farinha de trigo (MFT), com farinha de trigo com conservante sintético (MCS), madalena com 10% de farinha de lima (M10) e 20% de farinha de lima (M20). Notou-se que a farinha de lima foi capaz de proporcionar um aumento na conservação das madalenas. Quanto aos parâmetros fisico-quimicos, especificamente cor, atividade de agua, e textura, constatou-se que tempo de prateleira e o tipo de conservante utilizado influenciaram nos resultados. Desta forma, a formulação de farinhas provenientes das cascas citrinos apresentam-se como uma boa solução para a valorização desses subprodutos, uma vez que os resultados comprovam o potencial funcional dos mesmos. A adição destas farinhas em alimentos poderá aumentar o potencial conservante dos produtos alimentares para alem de, ir de encontro as demandas do consumidor que procura uma alternativa de alimento funcional com consequentes benefícios para saúde. Para alem da utilização destes resíduos como potencial ingrediente natural com potencial aplicação para a industria alimentar, prevê-se a contribuição de forma positiva para a resolução de problemas económicos e ambientais preocupantes derivados do descarte deste tipo de resíduos.
Bioatividade, Biorresíduos, Economia circular, Subprodutos, Ingredientes naturais, Citrinos
Bioatividade, Biorresíduos, Economia circular, Subprodutos, Ingredientes naturais, Citrinos
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