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À margem do percurso histórico da museologia, existem mundos de periferias culturais, onde os avanços técnico-científicos se debatem com as idiossincrasias das dinâmicas culturais das elites que compõe esses lugares. Setúbal, a sul de Lisboa, é um caso paradigmático. Mais que o museu, a ideia de museu é tema que se arrasta desde meados do Século XIX à actualidade. As inovações museus não passam de argumentos utilizados no choque entre elites instaladas e emergentes, servindo-se do totem museu como super ego da psicologia social comunitária, que então se desvanecia. As circunstâncias envolvidas na fundação do Museu da Cidade de Setúbal em 1961 são muito mais que a mera criação de um Museu Municipal, até porque não foi criado com essa função. Em primeiro lugar, foi uma ideia de Museu nascida ainda em período Republicano (1910-1926), em 1917, pelo Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal, instituição privada de beneficência pública. Esta ideia foi depois desenvolvida, no período ditatorial do Estado Novo (1933-1974), mais propriamente em 1958, pelo seu filho, também Provedor da mesma instituição entre 1958-1961. Os discursos inerentes à criação desse espaço museológico reflectem e ilustram, de forma clara, os discursos legislativos do regime em relação aos conceitos de Museu, Museologia, peça de museu e património. É também possível identificar diferentes discursos e interpretações na criação do Museu, tanto por parte dos dirigentes da Instituição, como por parte dos representantes do Estado ligados ao projecto durante os anos de 1958-1961.
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Elites, Museu, Setúbal, Santa Casa da Misericórdia de Setúbal, Identidades
Elites, Museu, Setúbal, Santa Casa da Misericórdia de Setúbal, Identidades
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