
doi: 10.65895/bstr.v1n1.8
Este artigo examina o colonialismo digital como uma nova etapa das dinâmicas globais de dominação, marcada pela extração, controle e mercantilização de dados em escala planetária. Inspirado em Couldry e Mejias (2018) e Faustino e Lippold (2023), o texto diferencia o colonialismo de dados, voltado à apropriação informacional, do colonialismo digital, conceito mais amplo que abrange dimensões econômicas, políticas, geopolíticas e infraestruturais do poder exercido por grandes corporações tecnológicas. As Big Techs são apresentadas como atores centrais desse regime, em relação simbiótica com os interesses estatais do Norte Global, reforçando assimetrias históricas e reconfigurando o capitalismo contemporâneo. Para mais, o avanço da inteligência artificial generativa amplia o extrativismo informacional e energético, ao exigir imensos volumes de dados, energia e capacidade computacional, transformando os data centers em epicentros do poder digital, frequentemente instalados no Sul Global, onde o custo energético e a regulação são mais flexíveis. Além disso, o texto introduz a noção de “colonialismo verde”, que descreve o uso do discurso da sustentabilidade para legitimar a apropriação de recursos naturais e infraestrutura energética por grandes corporações, em que os benefícios prometidos aos países periféricos, como empregos qualificados e transferência de tecnologia, raramente se concretizam. Por fim, o trabalho conclui que a digitalização contemporânea não rompe com as estruturas coloniais, mas as reinscreve sob novas formas, mais sutis e tecnificadas. A concentração de poder informacional e material nas mãos de poucas corporações reforça hierarquias históricas e ameaça princípios de soberania e equidade global, tornando urgente um debate crítico que priorize justiça social, sustentabilidade e soberania digital como bases para um futuro tecnológico menos desigual.
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