
doi: 10.61818/ted25040
As perturbações antrópicas, como a perda, fragmentação e degradação de habitats naturais, têm provocado mudanças significativas na composição das comunidades biológicas e na distribuição da biodiversidade. A diversidade beta é uma métrica central para avaliar essas alterações, pois reflete a variação na composição de espécies entre localidades. Mais recentemente, o conceito foi expandido para incorporar dimensões funcionais e filogenéticas, permitindo uma compreensão mais abrangente dos processos ecológicos subjacentes à organização das comunidades. Ainda assim, a maioria dos estudos se limita à dimensão taxonômica, o que pode ocultar padrões ecológicos relevantes. Na Amazônia, uma região de alta biodiversidade moldada por grande heterogeneidade ambiental, a intensificação de impactos antrópicos, como o desmatamento, a expansão agrícola e, especialmente, a construção de hidrelétricas, tem gerado profundas alterações ecológicas. As hidrelétricas, em particular, promovem a insularização florestal ao fragmentar extensas áreas contínuas de floresta em pequenos remanescentes isolados pela água. Nesse cenário, investigar como a diversidade beta, em suas múltiplas dimensões, responde à insularização é essencial para orientar estratégias de conservação eficazes e integradas. Diante disso, investigamos a diversidade beta taxonômica e funcional de aves do sub-bosque em um arquipélago de ilhas florestais artificiais, avaliando os efeitos da área e do isolamento das ilhas sobre os componentes da diversidade e inferindo os processos ecológicos que moldam essas comunidades. O estudo foi realizado no Reservatório da Usina Hidrelétrica de Balbina (Amazonas, Brasil), formado pelo represamento do rio Uatumã, onde amostramos um total de 32 ilhas e cinco pontos de floresta contínua utilizando redes de neblina para amostragem das aves. Com um esforço amostral de 21.312 horas/rede, nós capturamos um total de 1.636 indivíduos pertencentes a 114 espécies. A diversidade beta, tanto taxonômica quanto funcional, foi maior nas ilhas em comparação à floresta contínua, indicando que a insularização aumenta a variação composicional entre comunidades, principalmente devido à diferença na riqueza de espécies. A área e o isolamento das ilhas influenciam significativamente essa diversidade beta, contribuindo para o aumento da diferença de riqueza taxonômica e funcional entre os sítios. Esses padrões sugerem que extinções locais seletivas e limitações à dispersão são processos importantes na organização das comunidades. Apesar do aumento da diversidade beta, esse resultado decorre da perda de espécies e funções, o que pode comprometer a integridade funcional e os serviços ecossistêmicos. Dessa forma, nossos resultados reforçam a necessidade de estratégias de conservação que preservem tanto a diversidade taxonômica quanto funcional, priorizando a conectividade e o tamanho dos fragmentos para mitigar os impactos negativos da insularização na Amazônia.
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