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Caminhar é uma das atividades humanas mais democráticas e que não precisa de grande equipamento nem investimento. Caminhar é uma necessidade, ancorada no bipedismo humano, passou a ser hoje uma atividade humana de prazer, de ostentação de classe e de estatuto social. Nas últimas décadas tem aumentado profundamente a oferta e a procura de percursos pedestres para locais e visitantes, que caminham por múltiplos motivos, desde desportivos até culturais, turísticos, religiosos e espirituais. Nos últimos anos, as autarquias da região de Trás-os-Montes e Alto Douro (TMAD) têm apostado na implementação de percursos pedestres nos seus territórios que assentam em dois eixos centrais: permitem a dinamização turística do território bem como constituem um mecanismo de desenvolvimento a nível local e regional através da criação, interpretação e ressignificação de caminhos tradicionais como roteiros pedestres. É esta a vocação territorial de TMAD? No nosso texto queremos avaliar essa vocação. Perante os escassos estudos sobre os roteiros e itinerários pedestres existentes nesta região, este artigo tem por objetivo a apresentação de um inventário dos percursos pedestres existentes em Trásos-Montes e Alto Douro, através da sua identificação bem como da sua caraterização. Para além disso, pretendemos interpretar os significados e sentidos da criação e expansão destes percursos pedestres e esboçar alguns dos seus usos e funções. Através da aplicação de uma metodologia documental e de investigação de terreno, identificamos os percursos pedestres divulgados nos sites das autarquias, pretendemos assim compreender a sua evolução e fazer uma análise interpretativa destes percursos e dos guias turísticos associados. Os resultados obtidos demonstram que existe um total de 156 percursos pedestres em TMAD, divididos em Pequena Rota (PR) e Grande Rota (GR), indo ao encontro de discursos e valores contemporâneos ligados ao ambiente, à ecologia e à sustentabilidade.
antropologia do turismo, pedestrianismo, rotas pedestres, TMAD
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