
Introdução: Os acidentes na infância e adolescência são considerados um problema de saúde pública não intencional, e são em sua maioria evitáveis. A pandemia causada pelo COVID-19 repercutiu no confinamento social predispondo as crianças e os adolescentes aos riscos de acidentes e agravos à saúde física e mental a este grupo. As famílias precisaram reorganizar a rotina familiar para darem conta das demandas que esse evento trouxe e ainda manter um ambiente seguro em tempo integral, uma vez que as escolas foram fechadas. Objetivo: Comparar padrões de acidentes infantis antes e no início pandêmico, atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), em uma capital brasileira. Metodologia: Trata-se de um estudo quantitativo de corte transversal. Foram coletados dados relativos aos acidentes ocorridos com crianças e adolescentes na faixa etária de zero a 18 anos, no período de março a dezembro de 2019 e mesmo período de 2020, em prontuários físicos e eletrônicos do SAMU, de uma capital brasileira. Os dados foram organizados em uma planilha no Microsoftware Excel 2016®. Para a análise dos dados utilizou-se frequência simples, absoluta e regressão logística, por meio do Statistical Package for the Social Sciences-SPSS Versão 26. O estudo foi aprovado pela Comissão de Ética em Pesquisa da instituição proponente sob o parecer de nº 4.407.818. Resultados: Foram registradas 823 (53,3%) ocorrências no ano de 2020, comparadas a 721 (46,7%) em 2019. Em 2020, foi identificado relativo aumento de acidentes em domicílios (279) comparado a 2019 (235), e ocorrências no domicílio (p<0,001) em comparação ao ambiente externo. No ano de 2019, as ocorrências predominantes foram os acidentes de trânsito, as quedas e traumas, respectivamente. Contudo, no ano seguinte houve aumento no padrão relacionado a OVACE, intoxicação, queimaduras e choque elétrico. No que se refere à caracterização da vítima, em 2019, os acidentes predominaram em adolescentes com idade acima de 12 anos (38,9%) e do sexo masculino (61%). Em 2020, tem que a idade apresentou aumento percentual das ocorrências em crianças menores que 12 anos, enquanto que, em adolescentes maiores de 12 anos, notou-se queda no número de acidentes. Conclusão: Constatou-se que o fechamento de escolas e o isolamento social influenciou no aumento de acidentes domésticos em crianças. Reforça-se a necessidade de ações de educação em saúde preventivas, por mecanismos midiáticos, em todos os âmbitos de atenção à saúde e para a população em geral. Se faz necessário que medidas de confinamento de crianças e adolescentes em casa, do modo como ocorreu no período pandêmico, sejam acompanhadas de orientação e preparo da família para as medidas de prevenção de acidentes infantis no ambiente doméstico.
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