
Mais do que qualquer escola de pensamento, os primeiros sofistas foram os que mais clara e tangivelmente anteciparam, em suas posições gnosiológicas, uma forma de pensamento afim com a tradição cética pirrônica. No entanto, para além da conformidade de pensamento entre sofistas e céticos, essas duas “escolas” partilharam do mesmo tipo de recepção hostil dispensado pela tradição filosófica – recepção da qual se originou a desqualificação histórica que pôs o pensamento cético-sofístico em um lugar de somenos na história das ideias. Com isso, os próprios termos se corromperam, deixaram de significar o que originalmente significavam e adquiriram conotações depreciativas. À visto disso, pretendemos analisar neste trabalho o sentido primeiro e as nuances históricas dos termos σοφιστής e σκεπτικός, assim como investigar o longo processo de desqualificação filosófica que essas duas tradições sofreram, a fim de que a acepção originária dos termos e o repúdio histórico dessas duas tradições possam ser esclarecidos.
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