
doi: 10.29327/5324525
A ideia proposta de pesquisar sobre a questão racial e de gênero se deu pela escassez de material bibliográfico existente em relação a esta temática e especificamente no que se refere à relação entre a Assistência Social e a Questão Racial no Brasil. Infelizmente, nas políticas públicas de assistência social a questão racial é pouquíssima relacionada com a assistência social. Na maioria das vezes estas políticas tendem a considerar a questão racial como uma questão meramente social, ou para justificar melhor, como uma questão apenas econômica. Subjacente a este posicionamento, resolvendo-se o problema econômico, consequentemente a questão racial estaria resolvida. A invisibilidade da questão racial nas estratégias de enfrentamento da pobreza se constitui em um grande paradoxo, pois apesar das inegáveis desigualdades sociais impostas aos negros e comprovadas por diversas pesquisas, a pobreza, o desemprego e a baixa renda dos negros brasileiros foi sempre reduzida à questão de classe social, ignorando-a como uma questão racial. Assim, torna-se necessário uma maior reflexão sobre as questões étnicas e raciais que perpassam a questão social no Brasil e suas implicações na execução das políticas públicas de assistência social. É preciso levar em consideração todo o caminho percorrido pelos negros e como se deu o processo de escravização e de abolição da escravatura no nosso país para que possamos ter critérios que tenham como fundamento o princípio da equidade e assim podermos, de fato, contribuir com a promoção de oportunidades iguais para todos, independentemente de sua raça/cor/etnia. É claro que se existe uma questão social como a pobreza que compromete socialmente e expressivamente a população negra, resolvida esta questão, consequentemente a questão racial também seria resolvida. O que está em questão aqui, não é o fato de a população negra ser a mais pobre, mas o porquê ela, a população negra, se mantém nestas condições. Ou seja, quais fatores contribuem para que ela não saia desta condição de pobreza, dessa condição de vulnerabilidade e exclusão. O que deve ser feito para que a população possa ascender socialmente. Para que tenha mobilidade social e possa, definitivamente, sair destas condições de pobreza e de vulnerabilidade a qual a sociedade brasileira lhes impõe diariamente no cotidiano da sua vivência e das suas experiências de vida como ser social. Pois, mesmo diante da hipótese remota de se alcançar um status social superior à sua atual condição, continuará sofrendo o agravamento e a complexidade do racismo e da intolerância.
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