
1. Ao longo do tempo, à palavra “Medicina” têm sido acrescentados diversos adjectivos ou expressões adjectivadas traduzindo, quer diversas filosofias na prestação de cuidados de vária ordem, quer diversas atitudes e actuações profilácticas ou terapêuticas de acordo com experiências e certo grau de empirismo, ou com estudos considerados idóneos pela comunidade científica. Nesta perspectiva poderão ser mencionados exemplos de terminologias (a que correspondem diversos cenários da relação médico-doente) com que frequentemente nos confrontamos: medicinas preditiva, preventiva, do trabalho, social, clássica, (convencional, tradicional ou alopática), tradicional chinesa, homeopática, paliativa, alternativa ou complementar, baseada na evidência, narrativa, integrativa, etc...1 A propósito do que tenho lido e ouvido e, em parte, protagonizado, é minha intenção reflectir sucintamente neste espaço editorial sobre a chamada medicina integrativa (que associa práticas da medicina tradicional, classicamente ensinada nas universidades, com as práticas cientificamente comprovadas da chamada medicina alternativa ou complementar, criando-se um sinergismo). Trata-se, com efeito, duma área em franca expansão na Europa e Américas, com estudos publicados em revistas internacionais indexadas na PubMed, e sobre a qual a Organização Mundial de Saúde já se pronunciou.2-4 2. A medicina alternativa/complementar (MA/C), integrando diversas modalidades e técnicas com indicações terapêuticas amplas, e baseando-se em conceitos filosóficos que correspondem a determinados estilos de vida , valoriza as ideias de que os médicos devem não só saber tratar, mas também saber cuidar, e de que o estresse psíquico influencia os sistemas nervoso, endócrino e imunitário. Desta última constatação nasceu uma nova disciplina (também em expansão) designada por psico-neuro-endócrino-imunologia.
Portuguese Journal of Pediatrics, Vol 44 No 3 (2013)
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