
O modernismo brasileiro foi um movimento que pensou a originalidade da nossa cultura, seja através da visão folclórica de Mario de Andrade em Macunaíma, seja através da poesia mágica e amazônica de Raul Bopp em Cobra Norato, seja através das formas coloridas e primitivas do Abaporu de Tarsila do Amaral ou do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade. A antropofagia modernista assumiu características canibais quando pensou na devoração do outro como modo de auto-sustentação e fortalecimento. Entretanto, há de necessidade de fazer uma distinção entre canibalismo e antropofagia: o primeiro conceito se dá em um nível biológico, enquanto o segundo se dá em um nível mágico e ritualístico. Mas o fato é que ambos os termos usados para repensar a cultura nacional, nos aproximam da Biologia, que tem como temas principais a evolução e a origem da vida: todos os seres que existem descendem de associações, permanentes ou transientes, entre espécies primitivas diferentes. Não é possível descrever com exatidão como a vida surgiu, mas com certeza a devoração e o canibalismo fizeram parte de eventos evolutivos que nos possibilitam hoje existir com diversidade e plenitude. “Nós somos todos Canibais”, como concluiu em seu ensaio etnológico Lévi-Strauss. “Nós somos todos Simbiose”, como concluo ao longo de vários anos como cientista que estuda a biologia da evolução celular. Neste breve ensaio vou me deter na questão da antropofagia e do canibalismo, nos seus conceitos e na possibilidade destas relações participarem no processo de reinvenção da cultura brasileira. Ao mesmo tempo, vou questionar a proposta do Manifesto Antropófago e repensar sua criação não através da antropofagia, mas sim através da simbiose, relação biológica que dá origem a novos seres, a novas coisas e especialmente a novos modos de pensar.
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