
Introdução: Apesar dos avanços em arsenal terapêutico, o esquema quimioterápico ABVD permanece como standard of care para o tratamento do linfoma de Hodgkin (LH) em primeira linha para a maioria dos pacientes. Entretanto, o emprego da bleomicina cursa com efeitos colaterais indesejáveis e potencialmente graves, fato que corrobora a importância do PET-ínterim e a omissão do uso da mesma nos ciclos subsequentes. Uma das suas principais toxicidades é a fibrose pulmonar, sequela geralmente irreversível e com impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes. Objetivo: Apresentar caso incomum, sugestivo de bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP) pós Bleomicina. Relato: Masculino, 64 anos, diagnóstico de LH clássico esclerose nodular IIA em ago/2022, localizado desfavorável, tratado com 6 ciclos de ABVD. Durante o tratamento, iniciou quadro de dispneia progressiva e tosse persistente. Avaliado pela pneumologia que realizou teste do degrau, com dessaturação para 91% em ar ambiente, e tomografia computadorizada (TC) de tórax que evidenciou traves pulmonares fibroatelectásicas e bolhas parasseptais nos ápices pulmonares. Evoluiu com dispneia aos mínimos esforços e no teste do degrau dessaturação para 84%. Nova TC de tórax realizada mostrou consolidações parenquimatosas com opacidades em vidro fosco e espessamento dos septos interlobulares na periferia de ambos os pulmões, além de discreto espessamento difuso dos septos interlobulares e irregularidade pleuro-parenquimatosa dos ápices, sugestivos de BOOP, atribuída à toxicidade pulmonar por bleomicina. Iniciada corticoterapia com prednisona, com boa resposta e resolução completa dos sintomas. Discussão: Os fatores de risco relacionados à toxicidade pulmonar da bleomicina são idade, dose cumulativa, insuficiência renal, radioterapia prévia, doença pulmonar subjacente, histórico de tabagismo e uso de filgrastim. A toxicidade fatal é observada mais comumente nos pacientes de maior faixa etária. A triagem pode ser reservada à avaliação dos sintomas e idealmente deve ser realizada uma prova de função pulmonar antes do início do tratamento, que deve ser repetido se houver indicação clínica, sem prazos pré-estabelecidos. Comumente, o que mais se observa é uma pneumonite intersticial que progride para fibrose, podendo ocorrer também pneumonite de hipersensibilidade e insuficiência respiratória fulminante. A fibrose pulmonar pode ser encontrada em 3 a 4% dos pacientes que recebem bleomicina, formas mais leves de toxicidade são relatadas em uma porcentagem muito maior de pacientes. O tratamento das complicações pulmonares é a interrupção da medicação para os pacientes sintomáticos ou que apresentem declínio nas provas de função pulmonar. No caso relatado o padrão de acometimento pulmonar foi BOOP, complicação que é incomum nestes casos, mas com respostas satisfatórias ao uso de corticoides. Conclusão: A bleomicina é uma das principais drogas para tratamento de LH, entretanto a toxicidade pulmonar pode ter muitas vezes desfecho desfavorável. A avaliação pulmonar antes do início do tratamento é de suma importância, para guiar a terapêutica e inferir possíveis riscos. O tratamento ainda é controverso, mas há consenso de que a corticoterapia pode ser utilizada na tentativa de melhora sintomática e radiográfica, podendo haver ainda recaída e piora sintomática no desmame da droga.
Diseases of the blood and blood-forming organs, RC633-647.5
Diseases of the blood and blood-forming organs, RC633-647.5
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