
No caso venezuelano, os interesses imperialistas estadunidenses pressionam para a queda de Nicolás Maduro para assegurar a posse total da renda petrolífera e da vantajosa mineração (inclusive ilegal) do ouro, utilizando para isso a pressão político-militar. No entanto, na cúpula trumpista duas posições sobre a Venezuela, aparentemente, se confrontam. Uma, de caráter claramente intervencionista, liderada por figuras como Marco Rubio e Pete Hegseth, defende a substituição de Maduro, se necessário por meio de ação militar direta. A outra, de perfil “negociador”, foi articulada desde janeiro por Richard Grenell, “enviado especial” de Trump que propunha uma transição pactuada, ampliando ao máximo os contratos de exploração e evitando o fortalecimento dos interesses chineses e russos na região. Trump, aparentemente, oscila entre as duas posições, conforme as pressões na cúpula trumpista que refletem o lobby petrolífero, a burguesia venezuelana-cubano-americana e os setores do complexo industrial-militar. Essa ambiguidade reproduz um padrão histórico da política externa estadunidense na América Latina: alternância entre agressividade militar e pragmatismo econômico. A oscilação no interior do trumpismo, especialmente quanto à possibilidade de invasão militar, é o foco central neste artigo. A ideia principal é a seguinte: uma invasão da Venezuela não se apresenta como “um passeio no parque”, nem como um acontecimento inevitável. Pelo contrário, como analistas imperialistas de algumas think tanks caracterizam, envolveria riscos políticos consideráveis e desdobramentos políticos imprevisíveis, não somente na Venezuela, como também na região e na política interna estadunidense. A partir dessa síntese introdutória, desenvolvo a análise considerando a oscilação entre essas duas vertentes no interior do trumpismo, revelando as dinâmicas que guiam as ações estratégicas estadunidenses na Venezuela. Compreendo que as suas contradições se apresentam nesse episódio. Longe de ser uma perspectiva monolítica, abriga tensões internas profundas, cujo desdobramento pode moldar a geopolítica regional quanto as articulações de poder no interior do próprio sistema político estadunidense.
Imperialismo, Trump, América Latina, Venezuela, Nicolás Maduro
Imperialismo, Trump, América Latina, Venezuela, Nicolás Maduro
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