
handle: 1822/39674
A miopia caracteriza um problema de visão, mais concretamente, um erro refrativo que tem despertado especial preocupação no seio dos profissionais da área da saúde visual, não só pela alta prevalência mundial, onde, em algumas regiões do globo, tem mesmo sido considerado como epidemia, mas também, pelo fato de afetar indivíduos de todas as raças e idades. Diversos fatores têm sido estudados com o intuito de desvendar a verdadeira origem da miopia, entre os quais a alimentação. Esta tem demonstrado a sua responsabilidade no aparecimento de algumas doenças crónicas, nomeadamente a obesidade e a diabetes, devido às fortes alterações globais que têm sucedido nos hábitos alimentares e nos próprios alimentos. O principal objetivo deste trabalho incide sobre a investigação da possível relação entre a miopia e a alimentação. Para tal, foi desenvolvido um trabalho de investigação, com recurso a questionários, envolvendo crianças de diversas zonas do país, de Norte a Sul, com o intuído de conhecer os seus hábitos alimentares. Para este foram selecionadas, aleatoriamente, quatrocentas crianças de oito escolas, desde Viana do Castelo até Faro, das quais 205 foram incluídas por apresentarem os questionários completos e devidamente preenchidos. A determinação do erro refrativo foi realizada com base na prescrição atual das crianças e, portanto, recorrendo a um frontofocometro. Consideraram-se míopes os indivíduos que apresentavam, em qualquer olho, um EE ≤ - 0,50 D, e hipermetropes os que manifestavam um EE ≥ + 0,50 D. Foram também avaliados alguns fatores de risco associados à miopia, designadamente, o local (interior/exterior) e a duração da prática de atividade física, o tempo passado ao ar livre, o tempo despendido na utilização de computadores, tablets ou telemóveis e em leituras não obrigatórias, bem como a existência de miopia parental. Relativamente aos nutrientes avaliados, estes foram discriminados em macro e micronutrientes (vitaminas e minerais). Os resultados obtidos neste estudo revelaram que na amostra final não se observaram diferenças entre géneros (53,4% raparigas e 46,6% rapazes) e que a idade média registada dos participantes foi de 12,15 ± 2,21 anos, sendo que a maioria destes residia na região Norte. Destacaram-se ainda, diferenças estatisticamente significativas para a idade e peso médio dos indivíduos míopes e hipermetropes, sendo estes primeiros mais velhos e mais pesados, bem como diferenças para a altura e peso de crianças emetropes comparadas com hipermetropes, destacando-se as hipermetropes como crianças mais baixas e mais magras. Também nos fatores de risco se denotam diferenças entre os três grupos avaliados para o tempo passado em computadores, tablets ou telemóveis, salientando que as crianças míopes são as que despendem maior tempo nesta tarefa. Da análise dos hábitos alimentares conclui-se que não existe uma relação entre a alimentação desenvolvida pelas crianças e a miopia. No entanto, devido à reduzida amostra de crianças míopes, mais estudos devem ser desenvolvidos nesta temática, a fim de investigar as possíveis relações entre determinadas carências nutricionais, típicas de alguns estratos socioeconómicos, utilizando para tal, outras metodologias como o registo em diários.
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