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O estudo de aula é um processo de desenvolvimento profissional de professores, originário do Japão, e que atualmente é praticado em muitos países. A sua aplicação requer adaptações em função do contexto dos professores e das condições existentes. Muitos países adotam o estudo de aula como um processo de desenvolvimento profissional de professores para melhorar a qualidade do ensino e aprimorar as experiências de aprendizagem dos alunos em diversas disciplinas, incluindo a Matemática. Este estudo descreve a realização de dois estudos de aula, um realizado em Angola e outro realizado em Portugal, em que participaram professores de Matemática destes países. Tem como objetivo compreender como os professores de Matemática do 7.º e 8.º ano, de Angola e Portugal, se desenvolvem profissionalmente ao participarem num estudo de aula, em particular, como se desenvolve o seu conhecimento didático. Pretende também compreender de que modo o estudo de aula, com o seu carácter investigativo, colaborativo e reflexivo, é visto pelos professores participantes. Trata-se de uma investigação qualitativa, no paradigma interpretativo, na modalidade de estudo de caso de dois grupos de professores que lecionavam Matemática no 7.º e 8.º ano, participantes em estudos de aula. A recolha dos dados foi feita por observação participante em Angola e não participante em Portugal. Em ambos os casos, efetuaram-se registos em diário de bordo, gravação áudio de todas as sessões e entrevistas, procedendo-se à transcrição de todas as sessões dos estudos de aula e das entrevistas. Os dados indicam diferenças no desenvolvimento dos dois estudos de aula. Os dois grupos de professores estavam inseridos em contextos muito distintos, o que influenciou o desenvolvimento de cada estudo de aula. O número de sessões de cada estudo foi muito diferente, em Angola 17 e em Portugal 7. Também houve diferença nas dinâmicas utilizadas pelas facilitadoras durante as sessões. Os professores em Angola nunca tinham ouvido falar em estudos de aula e participavam pela primeira vez. Por sua vez, as professoras em Portugal, algumas já tinham participado em um estudo de aula e, de modo geral, já estavam familiarizadas com o modo de trabalho deste processo formativo. Os resultados apontam que, em ambos casos, os professores fizeram reflexões importantes em relação ao seu conhecimento didático, sobretudo em relação às tarefas no ensino da Matemática, sua seleção, adaptação e condução. Consideraram as tarefas desafiantes como importantes para a aprendizagem dos alunos. Viram o ensino exploratório como uma abordagem benéfica para a aprendizagem dos alunos, e também reconheceram os desafios que o seu uso traz ao trabalho do professor, exigindo uma seleção criteriosa das tarefas e uma gestão da aula diferente do habitual. Os professores consideraram o estudo de aula como um processo de desenvolvimento profissional eficaz, que permite aos participantes refletir sobre a sua prática em sala de aula e adquirir conhecimentos úteis para a aprimorar. Todos os aspetos comuns e diferentes destes estudos de aula permitiram compreender, de alguma forma, como os professores desenvolvem o seu conhecimento didático – de diferente modo e com diferente profundidade – ao participarem de um estudo de aula.
Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudos de Angola (INAGBE)
conhecimento didático, exploratory teaching, Domínio/Área Científica::Ciências Naturais::Matemáticas, math teachers, estudo de aula, didactic knowledge, ensino exploratório, professores de matemática, lesson study, tasks, tarefas
conhecimento didático, exploratory teaching, Domínio/Área Científica::Ciências Naturais::Matemáticas, math teachers, estudo de aula, didactic knowledge, ensino exploratório, professores de matemática, lesson study, tasks, tarefas
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