ESCREVER ENTRE AS LÍNGUAS: TRADUÇÃO E GÊNERO EM NANCY HUSTON

Article Portuguese OPEN
WILHELM, Jane Elisabeth ; COSTA, Pâmela Berton ; DEÂNGELI, Maria Angélica (2017)
  • Publisher: Universidade de Brasília, Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução
  • Journal: Revista Belas Infiéis (issn: 2316-6614, eissn: 2316-6614)
  • Subject: Auto-tradução. Gênero. Nancy Huston. | P | Estudos da Tradução | Translating and interpreting | P306-310 | Letras; Línguas Estrangeiras; Tradução; Linguística; Linguística Aplicada; Estudos da Tradução; Literatura Comparada | Language and Literature

O entre duas línguas da auto-tradução em Nancy Huston subverte as relações hierárquicas entre o original e a tradução, ou a oposição entre língua materna e língua estrangeira, e nos convida assim a nos interrogarmos sobre nossas práticas e representações de escrita e de tradução. Buscamos compreender em que medida a escrita entre o francês e o inglês de Nancy Huston questiona não somente as categorias tradicionais de tradução, mas também o gênero como construção social. A história da tradução é atravessada por metáforas sexistas ou de natureza sexual, como “belas infiéis”, que refletem o papel inferior da tradução, associada ao feminino, em contraste ao original, identificado como masculino. Também a questão da infidelidade, ilustrada pela máxima traduttore traditore, é refutada por Nancy Huston tanto em sua prática de auto-tradução como no texto intitulado Traduttore non è traditore, publicado na coletânea Pour une littérature-monde. Ela retoma, em seus textos, o tema da maternidade e à dicotomia homem-espírito/mulher-corpo. Nota-se tanto uma certa ansiedade relacionada à língua materna e ao corpo em sua ficção, quanto um questionamento relacionado à máscara e às identidades múltiplas. O exílio, esse “sentimento de estar dentro/fora”, para Nancy Huston, abre a questão da identidade pessoal e das identidades múltiplas (linguística, sexual, nacional ou política), de tal maneira que a identidade dos autores e tradutores pode igualmente se embaralhar e se confundir. Em busca de sentido, autores e leitores são engajados em um trabalho infinito de tradução, de tal modo que é toda a experiência humana que se inscreveria nos termos de um paradigma da tradução.
  • References (9)

    KLEIN-LATAUD, Christine. Les voix parallèles de Nancy Huston. TTR, Traduction, Terminologie, Rédaction, Montréal, v. 9, n. 1, Montréal, Université Concordia, p. 211-231, 1996. Disponível em: <http://id.erudit.org/iderudit/037245ar>. Acesso em: 16 jul. 2009.

    1. Dijon: Éditions Universitaires de Dijon, 2006. p. 67-76.

    SCOTT, Joan. Genre : une catégorie utile d'analyse historique. Les Cahiers du Grif 37/38.

    Paris: Éditions Tierce, 1988. p. 125-153.

    SHREAD, Carolyn. Redefining Translation through Self-Translation: the Case of Nancy Huston. FLS, Amsterdam, v. XXXVI, p. 51-66, 2009.

    SIGRIST, Ilona. The Stakes of Self-Translation in Nancy Huston's Dolce Agonia and Instruments des ténèbres. In: FIDECARO, Agnese; PARTZSCH, Henriette; DIJK, Suzan; COSSY, Valérie (Eds.). Femmes écrivains à la croisée des langues / Women Writers at the Crossroads of Languages, 1700-2000. Genebra: MétisPresses, 2009.

    SIMON, Sherry. Gender in Translation. Londres: Routledge, 1996.

    STAROBINSKI, Jean. La littérature et l'irrationnel. Cahiers roumains d'études littéraires, Bucarest, 1974.

    STEINER, George. After Babel: Aspects of Language and Translation. New York: Oxford University Press, 1975.

  • Metrics
    No metrics available
Share - Bookmark