Por uma geografia dos povos a partir de suas comunidades

Article Portuguese OPEN
Azevedo, Rafael Sá Rego de (2016)
  • Publisher: Terra Brasilis
  • Subject: Élisée Reclus | geography | anarchist | community theory | geografía | anarquista | teoría comunitaria | Élisé Reclus | geografia | teoria tomunitária

Busca-se uma compreensão do pensamento geográfico de Éliseé Reclus com o objetivo de identificar suas possibilidades e contribuições para o desenvolvimento atual da Geografia, considerando a teoria comunitária como o aspecto central de seu pensamento. Para isso recorreu-se aos textos escritos pelo próprio Reclus, presentes nas coletâneas organizadas por Beatrice Giblin e Manuel Coreia de Andrade e pelo livro A Evolução a Revolução e o Ideal Anarquista. A abordagem original que Reclus tem da Geografia se deve a sua posição política como anarquista. Por isso diferente da maioria dos geógrafos do seu tempo e de hoje, Reclus não vai fundamentar seus estudos no papel do Estado, mas, sim, no papel das comunidades na formação e organização do espaço geográfico. Para compreender a evolução histórica e geográfica de um povo é de primeira importância dar atenção às afinidades que são formadoras desse povo, ou seja, seus costumes, língua, seu processo de formação histórica, etc. O Estado nacional é entendido como uma conformação sócio-espacial recente na história, que deixará de existir ao longo do processo histórico. Já a ação das afinidades comuns é vista como uma influência permanente na organização sócio-espacial dos povos. Reclus considerava que o ponto de partida para a compreensão do desenvolvimento dos povos é entender o movimento das comunidades que compõem esses povos. Além disso, a forma como este geógrafo anarquista entendia as relações sociais dentro do contexto da construção e organização do espaço geográfico pode ser considerada pioneira, pois procurava estabelecer as relações entre as classes sociais e o espaço ocupado e dominado. Reclus foi capaz de perceber a importância das redes, ao entender que elas eram o elemento responsável pela coesão dos territórios. Dessa observação derivam duas idéias férteis: por um lado, o uso das redes como um dos principais mecanismos de dominação do imperialismo vigente na época, e, por outro lado, uma concepção de mundo onde a organização espacial se daria a partir de uma articulação em rede, garantindo a autonomia das comunidades envolvidas. Observou ainda o uso da informação e do conhecimento como mecanismos de dominação a partir das redes de comunicação que se iniciavam na época com o telégrafo. Mas, considerava que, apesar dos meios de comunicação estarem sob domínio das classes e países opressores, também colocam em contato os explorados do mundo todo e esse contato pode representar o germe de uma vida nova, baseada na prática do apoio mútuo e na criação de diversos tipos de associação. A partir daí, ele desenvolveu sua concepção de uma sociedade futura essencialmente comunitária e articulada em rede, que busca o desenvolvimento através da autonomia e estabelece um vínculo estreito entre teoria e prática e entre trabalho manual e intelectual. Ele propõe a utilização do conhecimento geográfico para a transformação das formas de organização da sociedade e do espaço. A Geografia constitui-se, assim, numa práxis social em que as soluções locais são enfatizadas, pois parte de uma política de valorização da diversidade e da alteridade. Search is an understanding of geographical thought of Élisée Reclus in order to identify their abilities and contributions to the current development of Geography, considering the Community theory as the central aspect of his thought. For it resorted to the texts written by Reclus himself, present in the collections organized by Beatrice Giblin and Manuel Andrade Korea and the book The Evolution Revolution and the Anarchist Ideal. The original approach that has Reclus Geography is due to its political position as an anarchist. So unlike most geographers of his time and today, Reclus will not base their studies on role of the state, but rather in the role of communities in the formation and organization of geographical space. To understand the historical and geographical evolution of a people is of prime importance to pay attention to the affinities that are forming these people, or their customs, language, its historical formation process, etc. The national state is seen as a recent socio-spatial conformation in history, which will cease to exist throughout the historical process. Since the action of the common affinity is seen as a permanent influence on the socio-spatial organization of people. Reclus considered the starting point for understanding the development of peoples is to understand the movement of the communities that make up these people. Moreover, the way this anarchist geographer understand social relations within the context of construction and organization of geographical space can be considered a pioneer since sought to establish the relationship between social classes and the occupied and dominated space. Reclus was able to realize the importance of networks, to understand that they were the element responsible for the cohesion of the territories. This observation derive two fertile ideas: firstly, the use of networks such as one of the main current imperialism rule mechanisms in time, and on the other hand, a world view in which the spatial organization would from a joint in network, ensuring the autonomy of the communities involved. He also noted the use of information and knowledge as mechanisms of domination from the communication networks that were initiated at the time with the telegraph. But considered that, although the media are under the control of the classes and oppressors, also put in touch the exploited around the world and this contact may represent the germ of a new life, based on the practice of mutual support and the creation of different association types. From there, he developed his conception of an essentially Community and articulate future network society that seeks development through autonomy and establishes a close link between theory and practice and between manual and intellectual work. It proposes the use of geographical knowledge for the transformation of the forms of organization of society and space. Geography constitutes thus a social practice in which local solutions are emphasized as part of a policy of valuing diversity and otherness. La búsqueda es una comprensión del pensamiento geográfico de Élisée Reclus con el fin de identificar sus capacidades y contribuciones al desarrollo actual de la Geografía, teniendo en cuenta la teoría de la Comunidad como el aspecto central de su pensamiento. Para ello recurrió a los textos escritos por el propio Reclus, presente en las colecciones organizadas por Beatrice Giblin y Manuel Andrade Corea y el libro La Revolución de la evolución y el ideal anarquista. El enfoque original que tiene Reclus Geografía se debe a su posición política como anarquista. Así que a diferencia de la mayoría de los geógrafos de su tiempo y hoy en día, Reclus no basará sus estudios sobre el papel del estado, sino más bien en el papel de las comunidades en la formación y organización del espacio geográfico. Para comprender la evolución histórica y geográfica de un pueblo es de importancia primordial para prestar atención a las afinidades que se están formando estas personas, o sus costumbres, lenguaje, su proceso de formación histórica, etc. El Estado nacional es visto como una conformación socio-espacial en la historia reciente, que dejará de existir a lo largo del proceso histórico. Dado que la acción de la afinidad común es visto como una influencia permanente en la organización socio-espacial de las personas. Reclus considera el punto de partida para entender el desarrollo de los pueblos es entender el movimiento de las comunidades que conforman estas personas. Por otra parte, la forma en que este geógrafo anarquista entender las relaciones sociales dentro del contexto de la construcción y organización del espacio geográfico puede ser considerado un pionero ya tratado de establecer la relación entre las clases sociales y el espacio ocupado y dominado. Reclus fue capaz de darse cuenta de la importancia de las redes, para entender que eran el elemento responsable de la cohesión de los territorios. Esta observación se derivan dos ideas fértiles: en primer lugar, el uso de redes tales como uno de los principales mecanismos de reglas imperialismo actuales en el tiempo, y por otra parte, una visión del mundo en las que la organización espacial haría desde una articulación en la red, garantizando la autonomía de las comunidades involucradas. También observó el uso de la información y el conocimiento como mecanismos de dominación de las redes de comunicación que se iniciaron en el momento con el telégrafo. Sin embargo, consideró que, si bien los medios de comunicación están bajo el control de las clases y los opresores, también se puso en contacto a los explotados en todo el mundo y este contacto puede representar el germen de una nueva vida, basado en la práctica de la ayuda mutua y la creación de diferentes tipos de asociación. A partir de ahí, desarrolló su concepción de una futura sociedad red esencialmente comunitario y articulado que busca el desarrollo a través de la autonomía y establece una estrecha relación entre la teoría y la práctica y entre el trabajo manual e intelectual. Se propone el uso del conocimiento geográfico para la transformación de las formas de organización de la sociedad y el espacio. Geografía constituye por lo tanto una práctica social en el que se hace hincapié en las soluciones locales como parte de una política de valoración de la diversidad y la alteridad.
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