Processamento linguístico de marcas de morfologia de flexão em contexto de inglês como segunda língua

Doctoral thesis Portuguese OPEN
Marisa Mendonca Carneiro (2011)
  • Publisher: Universidade Federal de Minas Gerais
  • Subject: Língua inglesa Estudo e ensino Falantes estrangeiros Brasil Teses. | Aquisição de segunda linguagem Teses. | Língua inglesa Verbos Teses. | Língua inglesa Flexão Teses. | Língua inglesa Sintaxe Teses. | Língua inglesa Morfologia Teses.

É sabido que aprendizes adultos de inglês como língua estrangeira (L2) têm dificuldade com a produção de morfemas flexionais, tais como s da terceira pessoa singular do presente, s de plural e ed de passado regular, havendo variabilidade na produção desses aprendizes. A pesquisa em aquisição de L2 com abordagem gerativa tem extensivamente debatido as possíveis causas para a variabilidade ou opcionalidade sintática, que é bem documentada em gramáticas maduras e em estados transitórios de desenvolvimento, tanto em adultos quanto em crianças. No entanto, não há ainda uma explicação completa sobre as causas da variabilidade nas gramáticas de interlíngua. A variabilidade é amplamente investigada na literatura, havendo duas hipóteses principais, que divergem em relação ao status atribuído à representação abstrata interlingual. No entanto, estas hipóteses são incapazes de explicar, de forma consistente, as causas da variabilidade na interlíngua, não levando em conta o papel do processamento no desempenho em L2, crucial para a aquisição de uma língua. Apesar de haver certo acúmulo de evidência em relação ao processamento de linguagem em contexto de língua materna (L1), ainda há poucos estudos que investiguem a maneira como o bilíngue compreende ou produz linguagem em tempo real. Faz-se necessário, portanto, investigar as possíveis causas da variabilidade de realização morfológica de flexão verbal de aprendizes de inglês como L2, falantes do português brasileiro, levando-se em conta o processamento linguístico. A hipótese a ser investigada é a de que, assim como os nativos, aprendizes de alta proficiência em inglês estão sensíveis aos morfemas flexionais, mostrando diferenças significativas nos tempos de leitura de sentenças em duas condições. A insensibilidade indica que o conhecimento relacionado à instanciação de flexão verbal não se encontra automatizado, levando a dificuldades na aprendizagem. Um estudo experimental foi proposto, tendo como objetivo investigar a sensibilidade dos aprendizes aos morfemas de presente e passado regular da língua inglesa, por meio de duas tarefas de leitura auto-cadenciada, nas quais os tempos de leitura de sentenças com e sem marcas flexionais foram medidos. O programa DMDX foi utilizado para a apresentação do estimulo e coleta de dados. Os participantes foram agrupados por nível de proficiência, e os tempos deleitura de sentenças nas duas condições foram comparados aos tempos de leitura denativos do inglês. A análise estatística dos resultados mostrou que não-nativos não mostraram diferenças quanto ao tempo de leitura das sentenças nas duas condições. Isto quer dizer que não-nativos não estão sensíveis aos morfemas de passado e presente da língua inglesa. Os resultados são discutidos à luz da teoria de Morfologia Distribuída e de estudos anteriores sobre produção e processamento morfológico na L2. Discute-se também a utilização do método de leitura auto-cadenciada. Questões a serem investigadas em estudos futuros são apresentadas. It is well-known that it is unlikely for adult learners of English as a second language (ESL) to reach native-like proficiency in using inflectional morphemes such as third person singular -s, plurals, and regular past ed, resulting in variable use. Variability is welldocumented in stable and developing grammars, as well as in the oral and written production of adult and child ESL learners. Although variability has been extensively investigated within the generative approach to second language acquisition research, its causes are still unknown. Two competing hypotheses can be identified in the second language (L2) acquisition literature, which diverge on the status of second language abstract representation. Nonetheless, both hypotheses do not take into account the role of processing in L2 performance, which is crucial for the successful acquisition of a language. In fact, little is known about how language learners comprehend or produce language in real time. Despite the fact that there is growing evidence on how first language (L1) learners process language, little is known about how L2 learners produce and comprehend language. It is thus necessary to investigate the causes of inflectional variability in Brazilian Portuguese learners of English from a processing perspective. The hypothesis under investigation is that high proficient non-native speakers of English are, just like native speakers, sensitive to violations of tense/ agreement, evidenced by significant differences between reading times of sentences in two conditions. If learners are insensitive to violations, knowledge of inflectional morphology is not automatically available, and learners will face problems acquiring it. This dissertation reports on an experimental study whose objective was to investigate L2 learners sensitivity to past and present inflectional morphemes in an online task. Two self-paced reading experiments were conducted in which the reading times of L2 learners were measured and compared with the reading times of native controls. Sentences varied on the use or absence of inflectional morphemes. DMDX was used to present and record data. Participants were grouped according to their proficiency level. The statistical analysis showed that nonnative speakers of English are not sensitive to inflectional morphemes. The results are discussed in light of Distributed Morphology and previous studies on production and processing of inflectional morphemes. The use of the self-paced reading paradigm to investigate morphological sensitivity is also discussed. Issues for future studies are presented.
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