A TEORIA COGNITIVA HUMEANA: UMA RESPOSTA A KANT

Article Portuguese OPEN
de Holanda Pereira Campelo, Wendel (2013)
  • Publisher: Universidade Federal de Santa Catarina
  • Subject: História da filosofia; história da filosofia moderna

Resumo Para Kant, as consequências lógicas do empirismo, seja com relação ao conhecimento ou à moral, só poderiam culminar no ceticismo radical. Tal interpretação acerca do empirismo clássico e, em particular, da filosofia de Hume, possui uma interessante genealogia, já que remonta à apropriação que houve na Alemanha da filosofia britânica e, em específico, dos filósofos escoceses do senso comum. Do ponto de vista kantiano, o empirismo é uma doutrina carente de um fundamento sólido, porque se trata apenas de “uma necessidade subjetiva surgida mediante uma frequente associação na experiência e que por fim é falsamente tomada como objetiva, isto é, do hábito” (CRP, B 127). Tal enunciado sugere que o conhecimento, para o empirista, só é possível se houver repetição na experiência, a fim de que possa ser derivado do costume. Contudo, considerar apenas o hábito como princípio de conhecimento à maneira de Kant não explicaria a razão de Hume afirmar que “em alguns casos, [...] vemos a reflexão produzir a crença sem o costume” (T, 1.3.8.14) ou que “podemos obter o conhecimento de uma causa particular com base em apenas um experimento” (Idem). Contudo, a interpretação kantiana simplifica a teoria cognitiva humeana e, por conseguinte, reduz bastante o papel do hábito e da associação no conhecimento humano. Para Hume, a conexão causal não estaria restrita apenas à expectativa de experiências passadas, já que a mente humana possui princípios capazes de dar conta de inferências que extrapolam a experiência imediata ou da memória: “embora estejamos aqui supondo ter tido apenas uma experiência de um efeito particular, tivemos milhões para nos convencer do princípio de que objetos semelhantes, em circunstâncias semelhantes, produzirão sempre efeitos semelhantes” (Idem). Assim, argumentaremos que (1) os aspectos naturais da teoria cognitiva de Hume desempenham um papel mais fundamental do que aquilo que supôs Kant e (2) que tal naturalismo humeano não é um paradoxo em relação ao seu ceticismo, mas é, de modo contrário, (3) o ceticismo a condição de possibilidade de se construir uma teoria cognitiva baseada em aspectos psicológicos e não-racionais. Palavras-chave Cognitivismo, naturalismo, ceticismo, empirismo.Abstract For Kant, the logical consequences of empiricism, either with regard to knowledge or morality could only culminate in radical skepticism. Such an interpretation about classical empiricism and, in particular, the philosophy of Hume, has an interesting genealogy, since it goes back to the appropriation what happened in Germany in respect British philosophy and, in particular, of the Scottish philosophers of common sense. From Kantian point of view, empiricism is a doctrine lacking of a solid foundation because it is just “a subjective necessity arising through a frequent association of experience and that it is falsely taken as objective, that is, the habit” (CRP, B 127). This statement suggests that knowledge to the empiricist, is only possible if there is repetition of the experience, so that might be derived from the custom. However, considering only the habit as a principle of knowledge in the manner of Kant does not explain why Hume said that “we find in some cases, that the reflexion produces the belief without the custom” (T, 1.3.8.14) or that “we may attain the knowledge of a particular cause merely by one experiment” (Idem). However, the interpretation Kantian simplifies cognitive theory Humean and therefore seriously reduces the role of habit and association in human knowledge. For Hume, the causal connection would not be restricted only to the expectation of past experiences, since the principles of human mind are able to inferences that go beyond the immediate experience or memory: “tho’ we are here suppos’d to have had only one experiment of a particular effect, yet we have many millions to convince us of this principle; that like objects, plac’d in like circumstances, will always produce like effects” (Idem). Thus, we will argue that (1) the natural aspects of Hume’s cognitive theory plays a role more fundamental than what Kant supposes and (2) that such Humean naturalism is not a paradox regarding to skepticism, but it is, rather, the skepticism the condition of possibility to build a cognitive theory based in psychological aspects non-rational. Keywords Cognitivism, naturalism, skepticism, empiricism. 
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