Estudo da associação entre hipertonia do complexo esfincteriano anal e dispareunia em mulheres adultas

Master thesis Portuguese OPEN
Fernandes, Samantha Figueiredo Frota (2012)

Existem várias associações entre causas orgânicas e dispareunia, no entanto há poucos estudos que examinam sua relação com a hipertonia da musculatura do assoalho pélvico. Portanto, mulheres com hipertonia neste grupo muscular caracterizam uma amostra relevante para investigar a ocorrência de dispareunia. Objetivo: Estudar a possível associação entre hipertonia do complexo esfincteriano anal e dispareunia em mulheres adultas. Método: Participaram do estudo 57 mulheres, com idade de 18 a 51 anos, com indicação médica prévia para a realização do exame de manometria anorretal, que foram distribuídas em 2 grupos: Grupo de Estudo (GE), composto por 34 mulheres com diagnóstico manométrico de hipertonia esfincteriana anal, e o Grupo Controle (GC), constituído por 23 mulheres sem o diagnóstico manométrico de hipertonia esfincteriana anal. Todas as pacientes passaram por uma anamnese e responderam ao questionário Female Sexual Function Index (FSFI), para caracterização da presença ou ausência de dispareunia. Resultados: O Grupo GE ficou constituído por 34 mulheres, com média de idade de 35,61 (±7,67) anos, e o Grupo GC por 23 pacientes, com média de idade de 35,91 (±8,36) anos. O Grupo GC apresentou maior ocorrência de partos normais, episiotomias e contração paradoxal do puborretal, com diferença estatisticamente significante, quando comparado com o Grupo GE. As pacientes do Grupo GE apresentaram pressão média de repouso e de contração significativamente maiores que as do Grupo GC (p=0,000), no entanto proporcionalmente o Grupo GC apresentou mais mulheres com dispareunia (9 pacientes, 39,2%) do que o Grupo GE (10 pacientes, 29,4%) sem diferença estatisticamente significante. Na análise da correlação entre os domínios dor e lubrificação do questionário FSFI, a força foi maior no Grupo GC, sugerindo que a dispareunia encontrada neste grupo associou-se à falta de lubrificação, e a encontrada no Grupo GE a outros fatores, como a hipertonia do complexo esfincteriano anal. Conclusão: A ocorrência de dispareunia nas pacientes avaliadas não pôde ser atribuída à hipertonia do complexo esfincteriano anal. _________________________________________________________________________________ ABSTRACT There are several associations between organic causes and dyspareunia, however there are few studies which examine its relation with the hypertonia of the pelvic floor muscle. Therefore, women with hypertonia in this muscle group characterize a relevant sample to investigate the dyspareunia occurrence. Objective: To study possible association between hypertonia of the anal sphincteric complex and dyspareunia in adult women. Method: Took part in the study, 57 women, ages 18 to 51, with previous medical indication to run exams of anorectal manometry, that were divided in 2 groups: Study Group (SG), composed by 34 women with the manometric diagnosis of anal sphinteric hypertonia; and Control Group (CG), composed by 23 women without the manometric diagnosis of anal sphinteric hypertonia. All patients passed through an anamnesis and answered to a Female Sexual Function Index (FSFI) survey to characterize the presence or absence of dyspareunia. Results: The GE group was constituted by 34 women with average age of 35.61 (±7.67) years old and the CG Group, by 23 women with average age of 35.91 (±8.36) years old. The Control Group presented higher occurrence of regular childbirth, episiotomies and puborectalis' paradoxical contraction, with statistically significant difference when compared to those of the Study Group. The SG Group's patients presented both resting and contraction average pressure significantly higher than those of the CG Group (p=0.000); however, proportionally, the CG Group showed more women with dyspareunia (9 patients, 39.2%) than on the SG Group (10 patients, 29.4%), with no statistically significant difference. In the correlation analysis between pain and lubrication domains in the FSFI survey, the strength was higher in the CG Group, suggesting that the dyspareunia found in this group were associated to the lack of lubrication; and to those found in the SG Group were associated to other factors such as the hypertonia of the anal sphincteric complex. Conclusion: The dyspareunia occurrence on the surveyed patients could not be assigned to the hypertonia of the anal sphincteric complex.
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