Oiticica: limites de uma experiência limite

Master thesis Portuguese OPEN
Sara Cristiane Jara Grubert (2006)
  • Publisher: Universidade de São Paulo
  • Subject: Art | Arte | Bólide | Marginalidade | Marginality | Modernidade | Modernity | Oiticica | Parangolé | Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo

Este trabalho trata da trajetória artística de Hélio Oiticica, que se empenhou em entender e reformular o perfil do artista, seu lugar e papel na sociedade. Foi esse processo metódico e constante de experimentação e reflexão que o levou a expandir os limites dos suportes artísticos tradicionais, especialmente a partir de meados da década de 60. É realçada a importância da formação de Hélio Oiticica no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro para sua atuação posterior, aberta ao diálogo com um contexto mais amplo de debates e reflexões, que extrapolaram o limite artístico e possibilitaram a criação de espaços de debate públicos a partir de sua proposição artística. A partir dos Bólides (1963), Oiticica foi levado a buscar novas alternativas, reestruturando e até ressemantizando suas propostas anteriores. Evidencia-se, ainda, uma crise do projeto amplo de modernização, que atingiu também as instituições culturais. No bojo dessa crise ganharam força os eventos coletivos de protesto, a proposta de formulação de uma vanguarda, a invenção da tropicália, sua institucionalização no tropicalismo e o desmanche da cena cultural promovida pelo AI-5, durante a ditadura militar. É traçado, ainda, um paralelo entre as idéias de marginalidade e de underground. Na trajetória de Hélio Oiticica, ambos aparecem como forma de oposição à ordem instituída, propondo o livre pensar e o descondicionamento do sujeito, conceitos que se desenvolveram em seu período novaiorquino. Em Nova York, Oiticica chegava à formulação de que o Brasil seria automaticamente underground; nesse ponto ele concluiu que estaríamos condenados a um paradoxo entre um mercado de arte pouco profissionalizado e a liberdade total de criação. Constatava, então, o limite de sua trajetória artística que rompeu as barreiras entre a arte e a vida, com o propósito de resgatar sua potencialidade crítica. This paper is about the artistic path of Hélio Oiticica, who strove to understand and reformulate the artist´s profile, his place and role in society. It was this constant and methodical process of reflection and experimentation that led him to expand the limits of traditional artistic bases, especially from the mid-sixties. It is enhanced the importance of Oiticica´s formation at Museum of Modern Art of Rio de Janeiro towards his later performance, open to the dialogue with a wider context of debates and reflection which extrapolated the artistic limit and enabled, from his artistic proposition, spaces for public debate to be created. From Bólides (1963), Oiticica was led to search for new alternatives, restructuring and even re-semanticizing his previous propositions. A crisis in the wide project of modernization, which also reached the cultural institutions, was evident. At the core of this crisis, several events gained force: the collective protests, the proposal of reformulation of a vanguard, the invention of tropicália, its institutionalization in tropicalismo, and the dissolution of the cultural scene promoted by AI-5 during the military dictatorship. A parallel is also drawn between the ideas of marginality and underground. In Hélio Oiticica´s path, both appear as a form of opposition to the established order, proposing the free thought and the subject´s de-conditioning, concepts developed in the period he spent in New York. Once there, Oiticica arrived at the formulation that Brazil would be automatically underground; concluding that we would be condemned to a paradox between an under-professionalized art market and a total freedom of creation. It was proved, then, the limit of his artistic path that broke the barrier between art and life, with the purpose of rescuing his critical potentiality.
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