Dor odontogênica como motivo para procura de atendimento odontológico : uso de medicamentos para controle de dor e outros fatores associados

Doctoral thesis Portuguese OPEN
Maria Rachel Figueiredo Penalva Monteiro (2015)
  • Subject: Automedicação | Odontologia | Inqueritos | Self medication | Toothache | Health surveys

Resumo: A dor de origem dental é caracterizada como uma dor aguda e está intimamente relacionada com a necessidade da administração de fármacos para alívio do sintoma, na tentativa de retardar a procura por atendimento odontológico. Nesse contexto, o uso de fármacos ocorre, muitas vezes, sem diagnóstico, prescrição ou orientação feitos pelo dentista. Desta forma, este trabalho teve por objetivo avaliar a prática da automedicação com a dor odontogênica, em pacientes que procuram o serviço universitário para atendimento odontológico. Este levantamento foi composto de 486 pacientes que se apresentaram ao Plantão de Urgências da Faculdade de Odontologia de Piracicaba FOP-UNICAMP entre os períodos de Fevereiro de 2012 a Julho de 2013. Os pacientes foram submetidos à anamnese e, foram obtidas informação sobre: o perfil da amostra como idade e gênero, as características da dor como a intensidade e duração até a procura por atendimento, características da medicação administrada para controle da dor como o classe do medicamento e sua eficácia, o tempo de uso da medicação até a procura por atendimento e o tipo de prescrição- automedicação ou prescrito, além do motivo para demora na procura por atendimento. A análise estatística foi feita através dos testes de Qui-Quadrado para avaliar o perfil da amostra: gênero, idade, intensidade e tempo de dor, tipo de prescrição, classe da medicação e tempo de uso, efetividade do medicamento e motivo da demora na procura pelo atendimento, Mann-Whitney na análise da idade e tempo de dor em relação ao gênero e Kruskal-Wallis para avaliar o tempo de dor e medicação em função da intensidade de dor. Houve maior prevalência de procura pelo serviço por adultos entre 25-50 anos (62,8%) e de mulheres (68,3%, p<0,001). Foi observado que, 31,7% apresentou dor moderada e 66,5% severa, onde 54,7% dos entrevistados fizeram uso da automedicação. A medicação mais utilizada foi a dipirona sódica (50%), seguida do paracetamol (20,4%) e diclofenaco (15,6%). Em relação ao uso de antibióticos a incidência em geral foi baixa (13,2%), a classe dos beta-lactâmicos foi a mais consumida (amoxicilina, 11,7%) e o uso de antimicrobianos foi pouco eficaz no controle da dor de origem dental (p=0,0041). Foi observado que, 108 pacientes fizeram uso de algum tipo de associação entre as medicações prescritas ou não. A maioria dos pacientes esperaram até uma semana para procurar atendimento (51,4%) e a medicação usada aliviou parcialmente a dor (53,3%). Não houve diferença estatística significante para o motivo da demora na procura de atendimento (p=0,23). Através deste levantamento foi possível concluir que: houve maior procura pelo tratamento por adultos do gênero feminino; pacientes com dor de origem dental procuram o atendimento cerca de uma semana após o primeiro episódio de dor e relatam, na sua maioria, uma intensidade de dor moderada a severa, onde o controle unicamente medicamentoso foi ineficaz para sanar o problema; a prática da automedicação é corriqueira; a medicação mais consumida pertence ao grupo dos analgésicos com destaque para a dipirona e; não houve uma motivação específica para a demora na procura por atendimento na faculdade. Abstract: Dental pain is characterized as an acute pain and is commonly associated with the use of medication to relieve this symptom, in an attempt to delay dental care search. In this context, the use of drugs often occurs without diagnosis, prescription nor orientation made by the dentist. Thus, this study aimed to assess the influence of selfmedication in patients with odontogenic pain that sought an university dental service. This survey was composed of 486 patients who presented to the Emergency of the University of Dentistry of Piracicaba FOP-UNICAMP between the periods of February 2012 to July 2013. Patients underwent anamnesis and were obtained information about: personal details (age and gender), intensity and duration of pain, selfmedication, duration (days) and class of drug used and motive to the delay in seeking dental care. Statistical analysis was performed using the chi-square test to analyze gender, age, level of pain, duration of pain, self-medication, medication class, effectiveness of medication and reason for the delay in seeking care; Mann-Whitney to evaluate age, duration of pain in relation to gender and Kruskal-Wallis to analyze time and pain medication in relation to pain intensity. There was a higher prevalence among adults between 25-50 years (62.8%) and women (68.3%, p <0,001). It was observed that patients presenting dental pain 31.7% moderate and 66.5% severe intensity and 54.7% made use of self-medication. Most patients waited until one week to seek treatment (51.4%) and overall the medication used relieved pain partially (53.3%). The most used medication was dipyrone (50%), followed by acetaminophen (20.4%) and diclofenac (15.6%). Regarding the use of antibiotics, for dental pain control, the incidence was low (13.2%) with a tendency to ineffective (p = 0.0009) and the class of beta-lactams was the most consumed (amoxicillin 11.3%). It was observed that 108 patients made some type of association with medication prescribed or not. No significant difference was found for the reason of delay in seeking care (p = 0.023). It is concluded that: women seek dental treatment more often than men; patients with dental pain seek dental care after one week from the first pain episode which was clammed to have moderate to severe intensity; pain control was usually done by self-medication which shows no sufficient efficacy; the class of drugs most used was the analgesic group (dipyrone) and there was no specific reason for the delay in seeking care.
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