REDES URBANAS, ABASTECIMENTO E O CAFÉ DA MANHÃ DE IDOSAS NA CIDADE DE TEFÉ, AMAZONAS: ELEMENTOS PARA A ANÁLISE DA GEOGRAFIA DA ALIMENTAÇÃO NO BRASIL

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Costa, Ellen Anjos Camilo da; Universidade Federal do Amazonas ; Schor, Tatiana; Doutora em Ciência Ambiental e Pós-doutorado em Geografia Economica na CUNY/NY. (2013)
  • Publisher: Hygeia
  • Subject: Geografia Urbana;Geografia da Alimentação;Geografia da Saúde | Alimentação; Idoso; Saúde

A Amazônia, e o Amazonas em especial, pode ser considerado uma das últimas fronteiras do processo de transição dos hábitos alimentares. A substituição da dieta tradicional por uma “dieta do supermercado” é marcante em todas as regiões do Amazonas. Com o objetivo de analisar a relação entre transição dos hábitos alimentares, saúde, envelhecimento e rede urbana na Amazônia este artigo delimita um estudo de caso na cidade de Tefé, no Amazonas. Tefé, caracterizada como cidade polo para o IBGE e como cidade de responsabilidade territorial pelo NEBECAB, organiza uma micro-rede urbana. Tem-se como hipótese de análise que o formato da rede urbana e a relação da produção rural do entorno das cidades são elementos chaves para se compreender a geografia da alimentação no Amazonas. Outra hipótese está relacionada as políticas de desenvolvimento social que implicaram em uma monetarização da dinâmica econômica, ou seja, a universalização da aposentadoria intensificou a transição dos hábitos alimentares, daí a importância de se analisar como se dá esta transição entre a população idosa, em especial as mulheres que tradicionalmente são responsáveis pela cozinha. Utilizaram-se dados de pesquisa de campo, realizadas em maio de 2012 e abril de 2013, oriundos de formulários que visavam compreender as condições socioeconômicas das idosas e de sua moradia. A análise dos dados identificou que a refeição que mostra mais claramente a transição para a “dieta do supermercado” é o café da manhã e de que o acesso a aposentadoria permite incluir na dieta produtos de supermercado. Ao comparar os resultados ressalta-se que a população de menor poder aquisitivo tem menos ou nenhuma acesso a frutas e um café da manhã menos variado, mostrando a injustiça social e econômica implícita nas mudanças dos hábitos alimentares, cenário infelizmente comum para pequenas cidades do estado do Amazonas, Brasil.
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