O papel das notícias na construção da participação cívica e política dos jovens em Portugal: Estudo de caso longitudinal (2010-2011)

Doctoral thesis Portuguese OPEN
Brites, Maria José (2013)
  • Publisher: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
  • Subject: Jovens | Jornalismo | Participação | Media | Quotidianos

Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor em Ciências da Comunicação (especialidade em estudos dos Media e do Jornalismo) Esta tese centra-se no cruzamento entre o jornalismo, a participação e as culturas juvenis. Numa era em que o jornalismo é posto em causa, muito em especial junto dos mais jovens, quisemos saber Qual o papel das notícias na construção da participação (cívica e política) ao longo do tempo? A ideia de partida centrava-se na oportunidade de perceber em que contextos e de que forma estes elementos complexos (jovens, jornalismo e participação nas suas pluridimensões) se cruzavam e de que forma isso poderia possibilitar leituras (diferenciadas) do quotidiano desses jovens. O consumo de notícias em geral, de notícias de política e as formas de participação constituíram elementos base de análise, muito embora nos tivéssemos preocupado ainda com propostas que os jovens fizeram para ligar os jovens ao jornalismo e à participação e nas razões que desmotivam a participação. A amostra inicial foi constituída por 35 jovens (32=15-18 anos; 1=14 anos; 2=21 anos; 16 raparigas e 19 rapazes), com graus/níveis e tipos de participação muito diferenciadas (Parlamento dos Jovens, assembleia de bairro, juventudes partidárias, jornais escolares, graffiti, música). Estes são os exemplos de participação pelos quais os selecionámos, embora tenhamos descoberto muitos outros modos de participação. Estes jovens possuem backgrounds familiares, educacionais, culturais e económicos muito distintos e também competências individuais diferenciadas. Neste estudo qualitativo e longitudinal (2010-2011) foi feita observação direta, duas fases de entrevistas semiestruturadas (em 2010=35 jovens; em 2011=30 jovens) e duas fases de grupos de foco (grupos de foco tradicionais=15 jovens; grupos de foco participatórios=10 jovens). Procurámos dar voz aos jovens na própria investigação, fazendo deles quasiinvestigadores. Através da leitura dos cinco perfis constituídos (com base no consumo de notícias gerais, de notícias de política e nas formas autorreportadas de participação), verificámos que o jornalismo continua a ter preponderância muito diferenciada junto dos jovens, também fruto dos contextos de participação, dos backgrounds familiares e das vontades pessoais. O discurso simplista da geração digital é mais retórico do que efetivo e pode camuflar realidades, desinvestimentos e carências profundas de literacia cívico-mediática. O cerne das necessidades e da intervenção está na sociedade e não na tecnologia. Mas a tecnologia, aliada a formas de intervenção e de participação, pode facilitar modelos de resiliência (ao longo do tempo) mesmo junto de jovens que vivem em contextos desfavorecidos. Além dos capitais económico e cultural, são fundamentais os sociais e cívicos, que podem também estabelecer alavancas de empoderamento, capazes de fomentar consumos e participação. Demos conta de que a família se constituiu como grupo relevante no que toca ao potenciar dos consumos informativos e de que a escola teve papel importante no fomento da participação. De anotar ainda que outros elementos de sociabilidade foram relevantes, como os amigos e os colegas. Esferas sociais mais alargadas só se evidenciaram junto de uma minoria de jovens com maior consumo de notícias e de participação.
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