Hepatotoxicidade da cianotoxina microcistina

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Andréa de Castro Leal ; Manoel do Carmo Pereira Soares (2004)
  • Publisher: Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT)
  • Journal: Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (issn: 1678-9849)
  • Related identifiers: doi: 10.1590/S0037-86822004000700013
  • Subject: Cianotoxina | RC955-962 | Microcistina | Hepatotoxicidade | Arctic medicine. Tropical medicine

Constitui interesse emergente em saúde pública avaliar a possibilidade de intoxicação humana por biotoxinas de algas cianofíceas, principalmente as hepatotoxinas do grupo das microcistinas. A microcistina, um heptapeptídeo monocíclico, é produzida principalmente pela cianobactéria Microcistis aeruginosa. São caracterizadas por alguns aminoácidos variáveis, dois deles com uma estrutura não usual que possuem importante papel na hepatotoxidade da microcistina. Apesar do acometimento humano atribuído as microcistinas incluírem gastroenterite, reações alérgicas ou irritativas, neurotoxicidade, o principal alvo da toxina é o fígado. Nos hepatócitos as microcistinas são carreadas pelo sistema transportador do ácido biliar, inibindo a atividade da proteína fosfatase no citoplasma. A inibição leva a mudanças morfológicas na membrana plasmática pela hiperfosforilação de citoqueratinas, e à atividade de promoção tumoral pelas proteínas hiperfosforiladas. Os métodos de detecção e quantificação de microcistinas no ambiente incluem a cromatografia líquida, o bioensaio em camundongos e os testes imunoenzimáticos. O último vem ganhando destaque pela praticidade e alta sensibilidade.